Software Livre e Educação: Uma relação em construção

     


    No decorrer da história da tecnologia, construiu-se  um mito  a respeito do software livre ( SL).  A informação  que as pessoas possuíam era de que esses  são difíceis de manipular, que não são confiáveis e que são de baixa qualidade. No entanto, o que algumas pessoas não conhecem é que o SL promove uma maior liberdade para seus usuários, pois esses podem  utilizá-lo de forma compartilhada. Assim, os indivíduos podem  distribuir o código fonte, modificar, estudar e aprimorar, além de  apresentar um valor  de mercado consideravelmente menor. Por outro lado, os usuários do software proprietário (SP) não podem fazer alterações, nem  compartilhar o código fonte, além de apresentar um valor de mercado maior.

    Nesse contexto, os reflexos dessa desinformação alcançaram o cotidiano escolar. Dessa forma,  a educação assume  um papel fundamental para desconstruir a imagem criada. Logo, o primeiro passo é a formação de profissionais capacitados  para utilizarem esses recursos no cotidiano escolar, não apenas como  materiais para assistir filmes, vídeos ou conteúdos, mas como  mecanismos que elevem  o conhecimento dos alunos, que tornem  as ações pedagógicas dinâmicas, participativas e práticas, além de oferecer uma liberdade maior para socializar os trabalhos produzidos tanto com  seus colegas quanto com a  sociedade. Dessa maneira, o software livre proporciona uma colaboração entre todos, além de possibilitar a criação de produtos pedagógicos, rompendo assim, um ciclo vicioso de simplesmente pegar  conteúdos prontos. 

     Ressalta-se que durante a formação, os professores devem ter  acesso às informações sobre as licenças do SL, pois seu  uso deve  respeitar a ética. Dessa forma, é necessário  abordar essa temática,  pois o educador não deve ser apenas um mero reprodutor e consumidor dos conteúdos e códigos, mas deve produzir e aprimorar seus conhecimentos e habilidades. Assim, eles podem oferecer  práticas pedagógicas autônomas e críticas, visto que são profissionais formadores de cidadãos conscientes. Isso implica que o ato de não discutir o licenciamento de conteúdos leva à perpetuação de indivíduos meros reprodutores de conhecimento, além de fortalecer  o mito citado anteriormente, de que os softwares livres são de baixa qualidade e difíceis de manipular.

    Salienta-se que o SP restringe seus usuários, tornando-os dependentes das empresas que fornecem o código fonte. Desse modo, as informações são restritas a uma única instituição. Por outro lado,  o SL possibilita que seus usuários tenham acesso ao conhecimento que necessitem, ou seja, há uma autonomia  no acesso às informações, pois por meio do acesso ao  código fonte, o usuário pode modificar, estudar e aperfeiçoar o software. Assim, as pessoas podem compartilhar suas produções e conhecimento com outras pessoas, tornando o SL um mecanismo mais democrático. Além disso, o software livre fortalece   a inclusão, pois apresenta um custo substancialmente menor, possibilitando  que pessoas de baixa renda  tenham acesso às informações e a oportunidades reais para criar  conhecimentos. 

   Diante do exposto, é necessário que a instalação dos softwares livres nas escolas seja acompanhada de uma formação de professores que não se restrinja  a ensinar o básico sobre os aplicativos, mas deve explorar as potencialidades que existem nos programas, respeitando as licenças estabelecidas pelo software. Entretanto, o software livre encontra dificuldades para sua inserção, pois a maioria dos programas e aplicativos utilizados na sociedade são baseados no SP,  a exemplo do Google, do e-mail acadêmico, são coisas que estão inseridas no nosso cotidiano e que usamos sem ter outra escolha. Nesse sentido, a utilização de SL nas práticas pedagógicas contribui para desconstruir a imagem que a sociedade capitalista criou sobre ele. Além disso, ressalta-se que os SL favorecem a formação de cidadãos críticos e conscientes de suas ações perante a sociedade,  compactuando assim, com o ideal buscado pelos educadores.




Comentários

  1. Incrível como esse texto me fez pensar sobre muitas coisas, tipo, sempre ouvi falar que o software livre era complicado, mas agora vejo como ele é um ótimo recurso para trabalhar em sala de aula, com liberdade e inclusão. Usar tecnologia do software livre é sobre criar, aprender, compartilhar, e muito mais. Além disso, precisamos de professores que tenham mais conhecimento e formação sobre o assunto.
    Milena Souza

    ResponderExcluir
  2. Ao ler o texto fiquei com uma dúvida. O software proprietário também compartilha o código fonte, assim como o livre?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não, no último período do primeiro parágrafo tem a seguinte passagem "[...] Por outro lado, os usuários do software proprietário (SP) não podem fazer alterações, nem compartilhar o código fonte, além de apresentar, além de apresentar um valor de marcado maior [...]"

      Excluir
    2. Desconsidere a repetição de " além de apresentar"

      Excluir
    3. Além da dúvida o que mais chamou a sua atenção em relação a postagem dos meninos, Elaine? Importante trazer a dúvida para o diálogo, mas quero quais são seus posicionamentos, contribuições, acréscimos frente ao que foi apresentado pro Alexsandro e Brenda? bjos

      Excluir
  3. Alexsandro e Brenda, primeiro quero sinalizar que consigo perceber o que vocês aprenderam sobre o Software Livre e a Educação. Observo que estão avançando nas reflexões, mas quero convidá-los a uma escrita que saia do verbo no infinitivo (ressalta-se, salienta-se) e pensem que esse texto é escrito por duas pessoas (vocês dois, portanto o verbo precisa ser primeira pessoa do plural (nós). Quero também, convidá-los a pensar sobre essa afirmação " o software livre proporciona uma colaboração entre todos, além de possibilitar a criação de produtos pedagógicos, rompendo assim, um ciclo vicioso de simplesmente pegar conteúdos prontos". O uso do Sl não está ligado a criação de produtos pedagógicos, isso vai depender muito de como ele será utilizado, pois material pedagógico pode ser criado com software livre ou software proprietário, não é verdade? Mesmo usando Sl posso pegar material pronto, o que precisamos pensar é o que implica a educação a adoção de sistemas livre e aberto? Será que podemos pensar nas concepção e práticas que giram em torno da colaboração, da partilha, da troca, da socialização do conhecimento?

    No texto continuo sentido falta de alguns aspectos que foram orientados. A exemplo pergunto: Como o uso de recursos com licenças abertas pode ser importante para a prática pedagógica de vocês? Outro aspecto o que os autores trazem sobre a diferença entre Sl e SP? Consegui perceber o que vocês compreenderam em aula, mas o que vocês aprenderam e dialogam com a base teórica?

    Para contribuir nesse debate, especialmente considerando os desafios ou resistências que existem na adoção de softwares livres nas escolas, compreendo que é necessário os professores compreenderem e desenvolverem práticas abertas, com conteúdos abertos e livres, pois isso implica abertura do conhecimento, não é? Além disso, precisamos pensar sobre a falta de formação pedagógica dos profissionais da educação. Muitos professores têm sua trajetória marcada pelo uso de softwares proprietários (como Windows, Microsoft Office, etc.) e não se sentem suficientemente preparados para usar os sistemas baseados em código aberto - e isso é discutido por Bonilla no texto - como o Linux ou editores como LibreOffice, Gimp e outros. Essa lacuna formativa gera insegurança, receio de mudança e resistência à adoção de novos ambientes.Vamos pensar nesses aspectos e avançar no debate e reflexão. bjos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Documentário: Cibernética

inteligência Artificial e Educação